Prestes a terminar o meu primeiro ano de vida de faculdade, olho para trás e vejo o que aconteceu.
No dia da saída do resultado das candidaturas não fiquei 100% feliz. Não tinha entrado na minha primeira opção. Teria de enfrentar algo que não queria mesmo: começar o ano noutro curso que não no que tinha pensado e, provavelmente, mais tarde mudar. Mas ainda nesse fim-de-semana decidi fazer alguma pesquisa e aproveitar para reflectir sobre o que fazer à minha vida.
Entrei em Dietética. Mas que raio seria Dietética? Nem vi bem isso quando me candidatei, tinha mesmo esperança de entrar na primeira, as outras foram um bocado por intuição. Fiz alguma pesquisa, passei logo pelo site da ESTeSL. “Ah bom, aqui diz que o curso se chama Dietética e Nutrição, o que ajuda a perceber um pouco mais o que é isto”. Apesar de não ter conseguido descobrir ao certo o que era, decidi que não me iria candidatar à segunda fase. Já que tinha entrado em DTN ia experimentar, se não gostasse, paciência: no ano seguinte tentaria outra vez a minha sorte. Não seria a primeira nem a última a fazê-lo.
Deixei-me estar, aproveitei a última semana de férias com os meus amigos, fomo-nos despedindo dos que iam estudar para longe, sempre com aquela pontada de nostalgia e tristeza. Criámos laços tão grandes e, agora, mal nos iríamos ver. É a vida, há sempre tempo para uma saída de vez em quando =).
Enfim, entre saídas, conversas e despedidas, chegou a primeira semana de aulas na ESTeSL. Estava um pouco apreensiva, porque no meu curso só havia raparigas, e já se sabe que muita mulher junta, dá confusão. Digamos que não estava propriamente no auge da minha confiança. Além disso ia para um ambiente totalmente estranho, onde não conhecia pessoas nem espaços. Nunca uma ida a pé do Oriente à ESTeSL foi tão rápida, de tão absorta que caminhava nos meus pensamentos e receios.
Chegada à ESTeSL vi sinais de todos os cursos menos do meu. A minha pequena réstia de à-vontade ia desaparecendo à medida que perguntava a várias pessoas onde estava Dietética e Nutrição e ninguém me sabia responder. Até que finalmente as encontrei: um grupinho de raparigas com um ar tão aparvalhado e amedrontado como eu. Várias pessoas trajadas andavam em volta delas, mandando-as cantar um suposto Hino que desconhecia enquanto saltavam ao pé-coxinho. Foi um choque inicial grande. Mas à medida que as horas foram passando, o desconforto foi desaparecendo, e desaparecia cada vez mais de dia para dia. Depois daquele Rally Tascas em que nenhuma de nós desistiu, senti realmente que podíamos fazer tudo. E a partir daí começou a confiança a aparecer, embora inicialmente de forma muito leve, mas impondo-se cada vez mais. A cada dia custava menos ir para a faculdade, até os gritos dos Veteranos e Excelentíssimos Veteranos iam parecendo menos rígidos. As músicas iam sendo aprendidas, o espírito entranhava-se, e quando a semana chegou ao fim, disse para mim própria: “É este o espírito que quero viver. Não me parece que saia daqui”.
O ano foi passando. Pessoas houve que se foram embora, outras chegaram depois da Praxe, e aos poucos fomo-nos conhecendo e, com uma saída para aqui, uma hora de almoço para ali, um “baldanço” a estatística para acolá, lá nos fomos conhecendo. A cada momento passado, mais a ideia “Não saio daqui” foi ficando totalmente clara na minha cabeça.
Depois de alguns meses de convivência, jantares de curso, fins-de-semana do caloiro, saídas, etc, vivemos mais três dias de praxe, que me souberam muito melhor que os primeiros. Fiz figuras parvas com plena consciência disso, mas já não o fiz com desconhecidas: fi-las com as minhas amigas, e isso ajudou bastante. E agora que já trajamos, já fomos à nossa primeira serenata vestidinhas a rigor e temos muitos momentos vividos, e temos também ainda muitos momentos para viver, de uma coisa tenho a certeza: Não vos largarei NUNCA.
DIETISTA ATÉ MORRER!